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1. A episteme do orgão

2. A desfossilização

3. A carnificina da flor

Te escrevo do submundo, onde aqui desejo mais do que o normal,


meus ossos estão pendurados por mecanismos de roldanas e minha língua atrelada ao tempo.


O tempo das plantas assim como dos infantes apaixonados precisa de cultivo, principalmente quando se é uma seringueira estrangeira em processo de se tornar sólido.


Cresci com a sujeira dentro das unhas e admirando as flores serem engolidas pelo futuro.


Coloco meu avental, minhas luvas cirúrgicas e me protejo dos fungos  que andam pela minha pele enquanto durmo no escuro.

 

Com um pequeno alicate, começo a esculpir a lua que foi pendurada no meu pescoço com o peso da grandeza de uma fruta asfixiada para ser eterna.


O amor na falta de luz é a matéria prima para a desfossilização, e no clarão do mundo deixo de amar para conquistar o mundo,


mas onde fica o que sinto por nós?


O  meu amor não se reconhece no vício, mas na gênesis do novo,


é um absurdo mudar de ideia sobre tantas coisas que não sei. 


Em uma carnificina do desconhecido, onde reconheço o que posso ainda chamar de corpo?


Onde reconheço o que ainda pode ser amado?


E o que faço com o que é deixado para trás com marcas de derrapagem de algo que queria tanto ser sentido?


O meu amor é uma eterna crise episteme,
e é isso que me torna um cordeiro com implantes de carinho.

I write you from the underworld, where I desire more than usual,


my bones are hung by pulley mechanisms and my tongue is tied to time.


The time of plants as well as of passionate infants needs cultivation, especially when you are a foreign rubber tree in the process of becoming solid.


I grew up with dirt inside my nails and admiring the flowers being swallowed by the future.


I put on my apron, my surgical gloves, and protect myself from the fungus that crawls across my skin as I sleep in the dark.

 

With small pliers, I begin to carve the moon that has been hung around my neck with the weight of the greatness of a fruit smothered to be eternal.


Love in the absence of light is the raw material for defossilization, and in the light of the world I stop loving to conquer the world,


but where do I leave what I feel for us?


My love is not recognized in addiction, but in the genesis of the new,


it's absurd to change your mind about so many things I don't know.


In a carnage of the unknown, where do I recognize what I can still call a body?


Where do I recognize what can still be loved?


And what do I do with what is left behind with the skid marks of something that wanted so badly to be felt?


My love is an eternal episteme crisis,
and that's what makes me a lamb with caring implants.

dedicado a L.R.K.S, tkm
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